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    Caminhada em torno da ilha

    Este trabalho é a narração de uma aventura e não deve servir de base para “trilheiros” sem experiência, pois há grandes perigos aguardando os incautos.


    Por: Alexandre Gelpke e Luciano Guedes.

    Alexandre é oficial aviador da aeronáutica com cursos de orientação militar na selva, sobrevivência na mata, pára-quedista e outros.
    Luciano é formado em ciências biológicas.

    Expedição: Volta a Ilha Grande, caminhando pelas trilhas, em quatro dias.
    Média de 10 (dez) horas de caminhada por dia.

    igt@ilhagrandeturismo.com.br


    Equipamento
    O material fundamental:
  • Barraca de camping
  • Lanterna
  • Máquina fotográfica com sua caixa estanque
  • Chocolate
  • Mochila
  • Mínimo de roupa
  • Saco de dormir
  • Canivete
  • Isqueiro,
  • gps
  • dinheiro
  • saco para lixo
  • sabonete e toalha
  •   O material fundamental esquecido:
  • Calça
  • Repelente
  • Capa de chuva
  • Mochila resistente à água
  • Esparadrapo

  • Primeiro Dia (Abraão-Tapera)
    Não há perigo de se perder, pois os postes de energia elétrica acompanham a trilha até a praia de Proveta como melhor guia.
    Começamos a volta ilha no dia 19 de maio de 2005 às 06h43min, decidimos que iríamos fazer a volta no sentido anti-horário, ou seja, pelo lado voltado para o continente.
    Registramos como primeira imagem a Igreja de São Sebastião em Abraão
    No início da trilha para a Praia Preta fotografamos o nascer do Sol. Praia preta com sua areia monazítica e ruínas do Lazareto. Passando sobre a Ponte do rio que deságua na Praia Preta, tiramos uma bela foto do rio citado tendo também a praia ao fundo.
    Aqueduto construído por Dom Pedro II para abastecer o Lazareto e a cachoeira da Praia preta.
    Íngreme e escorregadia é a trilha que leva a Feiticeira (Cachoeira e Praia) percebemos também algumas marcações em pedras e postes que indicam as bifurcações que levam a Cachoeira da feiticeira e a Praia da feiticeira.
    Seguimos a trilha e percebemos que está sendo fechado com cerca a trilha que leva a Praia da Camiranga pela costeira.

    Na chegada a Praia da Camiranga percebemos um lugar calmo de águas calmas e transparentes, refletindo o verde da vegetação de Mata Atlântica que perfila por toda a Enseada das Estrelas.
    Saímos da Praia da Camiranga pegamos uma pequena trilha que leva a Praia do Perequê também com águas transparentes,
    porém nós fomos presenteados durante a caminhada, pois os pés de Pitanga que se encontram na referida praia estavam carregados, paramos e saboreamos.
    Atravessamos o Rio Perequê e chegamos a Praia de Fora
    onde se encontra o Restaurante Cantinho da Dona Maria que serve a melhor moqueca da Ilha Grande, onde fizemos a nossa primeira parada para descanso.
    Continuamos a caminha e encontramos com dois moradores locais que estavam plantando Sabiá uma espécie de cerca viva.
    Seguindo a trilha para o Saco do Céu encontramos várias opções de restaurantes que fazem dali um local diferenciado: Almirantado, Coqueiro Verde, Gata Russa e Reis e Magos, são algumas das opções, sendo que o Coqueiro Verde compreende uma área perfeita para se passar o dia, além do atrativo diferenciado que é à noite no Saco do Céu.
    Almirantado Coqueiro Verde Gata Russa
    Saímos e passamos por um belo Mangue antes de chegarmos a uma vila na Praia do Galo e Praia do Conrado , notamos que a um grande número de moradores no Saco do Céu.
    Seguimos para Japariz, passamos antes pela Praia do Funil onde um amistoso cavalo nos foi receber no campo de futebol, logo em seguida chegamos a Japariz, praia onde localizam a maioria dos restaurantes que os Saveiros fazem as paradas para almoço durante seus passeios diários.
    Pegamos a trilha para a Freguesia de Santana, trilha fácil paralela ao mar com ótima vista.
    Passamos pela Praia da Baleia e encontramos uma placa que proibia a passagem dizendo que era propriedade particular em plena trilha, mas não houve hostilidade dos seguranças da propriedade, fotografamos e seguimos pela trilha para a Praia de Grumixama de Baixo, pegamos uma subida íngreme em certo ponto há algumas casas com ótima vista para a Lagoa Azul estávamosa 105 mt. de altura.
    Praia da Baleia Igreja de Santana, construída em 1796 Lagoa Azul
    Observamos em vários pontos galhos e árvores sobre a rede elétrica.

    Depois de uma caminha razoável passamos por uma pequena praia chamada de Bananal Pequeno,
    10 minutos depois estávamos na Praia de Bananal, praia com uma pequena infra-estrutura, onde se encontra restaurantes, bares e pousadas.
    Partimos para a Praia de Matariz, um local onde a beleza natural contrasta com desarmônicas construções residenciais.
    Nas fotos fica evidente a necessidade do uso de calça, mas nós não levamos...
    Seguimos a trilha com destino a Praia de Passaterra, mais uma vez a hospitalidade de um pescador local foi evidenciada, pois estávamos já cansados e a procura de local para alimentação e abrigo, donde foi nos informado para procurarmos o Sr. Nalde na Praia da Tapera.
    Já entardecia quando seguimos, passamos pela Praia de Maguariquessaba onde o sr.Walter, proprietário da pousada Recanto dos Pássaros fez valer a sua fama de repudiar trilheiros, tentamos nos hospedar para ver a reação e a resposta foi que a pousada estava cheia, mas nós não vimos nenhuns hóspedes... esta falta de hospitalidade é relatada por muitos turistas.
    Passamos por Sítio Forte e chegamos a Praia da Tapera às 18h, conhecemos o Sr. Nalde (quem passar na praia da Tapera não deve deixar de conhecer, pois este “nativo” eleva a Ilha Grande com sua hospitalidade e deixo aqui um agradecimento) montamos nossa barraca ao lado de seu restaurante onde jantamos.

    Tapera é uma praia tranqüila onde podemos observar vários peixes.

    Segundo Dia (Tapera - Aventureiro)

    Uma curiosidade ensinada pelos nativos da Ilha Grande é a maneira de prever quando vai chover:
    As formigas corredeiras aparecem aos montes, as nuvens formam desenhos de rabo de galo, e os urubus voam bem alto...
    Será que vai chover...

    A praia de Provetá, embora não seja um local muito procurado para turismo, apresenta boa infra-estrutura e sua comunidade é quase formada por evangélicos...
    ... interessante foi a propaganda encontrada em um bar da praia.
    Ultima trilha do segundo dia, o caminho para Aventureiro é a maior subida e o ponto mais alto de todas as trilhas (345 metros), quase chegando a Aventureiro ocorreu um fato inusitado que foi o encontrar com uma cobra no caminho, o mais interessante disto foi que quando nós fotografávamos a cobra, vieram micos e ficaram observando a situação.
    Chegamos as 18h00minh na Praia de Aventureiro, uma das mais belas da Ilha, sem dúvidas a melhor praia para camping do Brasil, ondas perfeitas, natureza ainda preservada, tudo perfeito, no verão lotado de pessoas bonitas de todo mundo, lógico que principalmente de Brazucas.
    Terceiro Dia (Aventureiro - Dois Rios)
    Praia que contém bares, restaurantes e camping, que oferecem alguma infra-estrutura.

    Uma dica a quem for a Aventureiro é para não deixar de visitar a Pedra do Sundara
    Chegada a Praia da Parnaioca foi o presente refrescante, mar perfeito e o rio que ali deságua ótimo para continuar a caminhada, pois além de refrescante tiramos o sal do corpo deixado pelo banho de mar,
    mas uma vez podemos contar com a hospitalidade dos moradores da Ilha Grande... Quem passar pela Parnaioca deve conhecer o Faria, pois ele oferece hospedagem e alimentação (um abraço Faria).
    Pé na trilha a caminho de Dois Rios a trilha mais longa entre praias, trilha tranqüila com vários pontos de água no percurso ajudando a se refrescar.
    Trilha em sua grande maioria feita em mata fechada, onde é possível observar várias espécies arbóreas da Mata Atlântica, destacando a grande Figueira,
    outro destaque da trilha é a Toca das Cinzas, quase chegando a Dois Rios a trilha sai da mata e se estreita,
    e passa por uma vegetação que causa alguns arranhões.
    Em Dois Rios a constatação de um passado sombrio e ao mesmo tempo fascinante, causado pela beleza natural em contraste com as construções do antigo Presídio

    Quarto Dia (Dois Rios - Abraão)
    Depois de uma noite inteira de temporal começamos o quarto e ultimo dia de caminhada também debaixo de chuva, a trilha de Dois Rios para a Praia de Caxadaço naturalmente escorregadia estava dificultada pela formação de poças de água e lamaçal.
    Ao chegar a Caxadaço o êxtase visual da praia mais aconchegante da Ilha, perfeita pela sua água clara e tranqüila onde é possível observar tartarugas e arraias bem próximas à costa, além do mais belo visual da Ilha de Jorge Grego vista da Ilha.
    Outra atração de Caxadaço é o farto deságüe de água doce na praia, águas essas que formam em certo ponto uma banheira natural, de onde é possível se banhar tendo o mar e a Ilha de Jorge Grego como visual - Luxo.
    Pegamos a trilha para Santo Antonio, trilha essa que não esta catalogada oficialmente, motivo que há torna um pouco complicada para as pessoas que não tem o costume de caminhar em trilhas, pois é preciso atenção nas bifurcações e partes onde a trilha se mistura com o curso de enxurradas, além de ser totalmente em mata fechada.
    Em Santo Antonio a constatação de uma praia perfeita para os romances pela natureza paradisíaca e pouco freqüentada, além de ser uma praia de costumes diferenciados, entenda Top Less e Nudismo.
    De Santo Antonio a Praia de Lopes Mendes são apenas 20 minutos de uma trilha que só a subida na saída de Santo Antonio é brusca, depois tranqüila, embora em alguns pontos haja alagamentos e lamaçal.
    Na Praia de Lopes Mendes o visual perfeito, considerado por muitos como a praia mais bonita do Brasil, consequentemente uma das mais belas do Mundo. Praia predileta dos surfistas pela bela formação de ondas.
    Lopes Mendes tornou-se o ponto de encontro dos jovens, azaração e deslumbre ajudado pela condição natural já que há formação arbórea em toda orla.
    Principal roteiro de passeio dos turistas que vêem a ilha por Abraão, isso faz de Lopes Mendes a praia mais visitada da ilha.
    Seguimos para Praia do Pouso pelo caminho da Aroeira, trilha muito bela totalmente arborizada que a torna perfeita por ser relativamente plana com locais que merecem uma maior atenção pela formação argilosa do solo.
    A Praia de Pouso deixa-nos a certeza de que um pouco mais tem que ser feito em nível de infra-estrutura para dar um pouco mais de valor ao turista e ao potencial turístico da ilha.
    De Pouso a Mangues uma pequena trilha divide as praias, já na Praia de Mangues local apenas de parada dos barcos que trazem os turistas para Lopes Mendes.
    A trilha de Mangues para a Praia de Palmas é tranqüila e em alguma parte na costeira nos presenteando com belo visual da enseada de Palmas.
    A Praia de Palmas já contém embora pequena, uma melhor infra-estrutura, com bares (até para público específico), restaurantes, camping e pousadas.
    Enfim a ultima trilha, Palmas - Abraão, trilha sinuosa com uma grande e escorregadia subida, porém recompensada pela exuberante mata que a envolve.
    Ao avistar o clarão do fim da mata o alivio, Abraão à vista, segue-se pela costeira por uns 10 minutos para deslumbre, com um surpreendente visual das Praias de Abraãozinho, Crena, Julia, Biquinha, Praia Preta todas na enseada do Abraão.

    Às 17h30min chegamos a Abraão depois de quatro dias de caminhadas, histórias e lembranças.



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